Lá estava a minha mão: grudada na sua, sugada, atraída. Primeiro de mãos dadas, depois, nossos nomes: nos apresentamos, você me oferece uma carona no final da festa.
Eu te sigo. Em meu coração, decido te seguir sempre... ou por aquela noite, pelo menos.
Penso:
Que bom ter recusado todos os outros. Ter saído com meu coração vazio, para procurar uma música que me fizesse dançar, comemorar qualquer coisa... a vida.
Que bom acreditar no estranho que sorri franco.
Abre a porta e deixa que eu entre na sua casa, cozinha, quarto, sala, parece feliz por eu te aceitado. Como eu estou feliz em estar ali, meu colo desejado, ele quer conversar.
Ele quer dormir, e me quer ao seu lado. Conheço sua pele, seu cabelo mas ainda não lembro a cor dos olhos. A cama vira nuvem, ou tapete voador. Nuvem para as menininhas, tapete voador, para os meninos.
É aconchegante, é simples, é o que eu esperava ter um dia.
Dorme e acorda. É feliz. Me faz sentir a rainha do lugar. Rainha dos lençóis molhados do banho de piscina que arriscamos na madrugada. Rainha da sua camisa azul marinho, seca.
Conta a vida, conto a minha. Avó, tias, mãe. Tesouros compartilhados, sonho que se conheceriam um dia.
O Sol aparece, eu acordo e ando pelo corredor, vejo os títulos dos livros, os instrumentos que guarda. Volto para a nuvem. O afeto rapidamente toma conta da minha alma, te imagino pequeno, como devia dormir igual a agora, profundo e despreocupado.
Penso:
Seremos uma boa dupla.
Você diz que vê o futuro, e que lá, tudo irá se repetir.
Você me deixa em casa, as horas passam. Eu digo pra todo mundo que achei. Até pra quem não perguntou o motivo do meu bom humor, da gargalhada descabida, o rosto saudável.
Mas eram achados sem certezas. Só o meu número gravado no seu celular e nenhuma previsão de que fosse buscado um dia. Meias palavras e eu bancando de bom entendedor. Fingindo entender tudo. Que aprendi, em uma noite, um novo código. Que havia um acordo. Que quando a festa acabasse, você me levaria de novo. Se não tivesse festa, me buscaria no fim de qualquer coisa. No fim do dia, da manhã, da aula, do jogo, do trabalho... não importa. Havia um acordo. Você voltaria para me buscar.
Pensei em dizer qualquer coisa de exagerado, porém, completamente coberto de carinho: me trouxe vida, luz e cor... em um dia.
Você pergunta o que eu esperava. Era mais daquilo. Quem era você? Não era esse que me vê na rua e mal me percebe. Não percebe que vim buscar mais. E eu percebo, viu? E não quero entender porque me recusa tudo.
Será um novo acordo?
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sábado, 5 de maio de 2012
domingo, 27 de março de 2011
Como é.
Poderia me levar pra passar o fim de semana. Sem data especial, sem consultar a agenda, sem lembrar do estudo acumulado pra semana que vem.
Apenas vir e levar; como era antes. Como era procurar um lugar pra comer meia noite, algo difícil em uma cidade pouco grande do interior.
Enganar a todos e te manter em casa até o outro dia.
E nem é isso que reclamo.
Sinto a falta do seu braço displicente jogado sobre minha perna enquanto assiste algo no monitor. O estalar de lábios no meu rosto sem pretensão: um jeito de mostrar que gosta que meu rosto esteja ao alcance de um beijo? Falta o recostar de seu tronco cansado no meu colo; oferecendo-me a pele para ser acariciada, eletrizada.
Agora, quando vem, fala de assuntos que não me lembro porque não fala de nós nem de si. Fala pra acelerar o relógio, pra gastar palavras, cansar a língua. Respondo pra fazê-lo rir de um erro desapercebido ou de um detalhe curioso. Nada o faz pousar aqui, no entanto.
Prendo o corpo, os sentidos mas a mente anda solta. Voa como pipa sem dono e sem descanso.
Apenas vir e levar; como era antes. Como era procurar um lugar pra comer meia noite, algo difícil em uma cidade pouco grande do interior.
Enganar a todos e te manter em casa até o outro dia.
E nem é isso que reclamo.
Sinto a falta do seu braço displicente jogado sobre minha perna enquanto assiste algo no monitor. O estalar de lábios no meu rosto sem pretensão: um jeito de mostrar que gosta que meu rosto esteja ao alcance de um beijo? Falta o recostar de seu tronco cansado no meu colo; oferecendo-me a pele para ser acariciada, eletrizada.
Agora, quando vem, fala de assuntos que não me lembro porque não fala de nós nem de si. Fala pra acelerar o relógio, pra gastar palavras, cansar a língua. Respondo pra fazê-lo rir de um erro desapercebido ou de um detalhe curioso. Nada o faz pousar aqui, no entanto.
Prendo o corpo, os sentidos mas a mente anda solta. Voa como pipa sem dono e sem descanso.
terça-feira, 22 de março de 2011
Preciso sair.
Pra parar de pensar no que pode acontecer amanhã, daqui a pouco.
Preciso ficar.
Pra ensaiar no espelho tudo o que direi em minha defesa (ou humilhação, se necessária), pra te ter de volta.
Preciso viver.
Uma vida minha, independente do seu próximo suspiro. Dos seus planos.
Preciso aprender.
A guardar melhor os meus segredos, principalmente os do amor.
Preciso crescer.
De preferência porque você estará em mim.
Pra parar de pensar no que pode acontecer amanhã, daqui a pouco.
Preciso ficar.
Pra ensaiar no espelho tudo o que direi em minha defesa (ou humilhação, se necessária), pra te ter de volta.
Preciso viver.
Uma vida minha, independente do seu próximo suspiro. Dos seus planos.
Preciso aprender.
A guardar melhor os meus segredos, principalmente os do amor.
Preciso crescer.
De preferência porque você estará em mim.
terça-feira, 22 de junho de 2010
Bandeira Branca
Querendo dizer algo de denso. A cabeça já cheia e zonza... Quero cair.
Venho pra te fazer sentir culpa.
Por não querer; não gritar meu nome; pelo meu desequilíbrio.
Culpado por levar esses olhos tristes no rosto; esse porte largo; essa voz chorosa; esse peito desprotegido.
É tudo o que eu já disse antes.
Porém, não é inocente. Não veio me roubar de mim, da minha melancolia, da grande invenção que é onde mora minha mente. Onde descanso e tento entender quando que deixei de saber exatamente o próximo passo. Quando perdi a alegria que o otimismo dá.
Otimista quanto à um desejo, um capricho concebido. Quando foi, volta?
Desculpa por não dizer.
Mas eu não perdôo por não ter perguntado, nem se importado.
Equivocada.
Todo o tempo. Os sonhos não páram de circular em minha mente.
Eles fingem acontecer. Mas é só mentira.
Os dias emendam-se e é tudo um eterno continuar: o prosseguimento da vida sua, eu sem fazer parte de nenhuma. Nem da minha.
Sei que isso não é motivo pra birra ou berro ou choro ou ódio. É só motivo pra silêncio.
Ando em retirada pacífica.
Sem enterrar nenhuma mina explosiva em seu campo, nem armadilhas, nem saudades.
Não saio de mãos vazias:
Tomei seus olhos tristes; o peito desprotegido; os passos soltos. São meus agora.
Venho pra te fazer sentir culpa.
Por não querer; não gritar meu nome; pelo meu desequilíbrio.
Culpado por levar esses olhos tristes no rosto; esse porte largo; essa voz chorosa; esse peito desprotegido.
É tudo o que eu já disse antes.
Porém, não é inocente. Não veio me roubar de mim, da minha melancolia, da grande invenção que é onde mora minha mente. Onde descanso e tento entender quando que deixei de saber exatamente o próximo passo. Quando perdi a alegria que o otimismo dá.
Otimista quanto à um desejo, um capricho concebido. Quando foi, volta?
Desculpa por não dizer.
Mas eu não perdôo por não ter perguntado, nem se importado.
Equivocada.
Todo o tempo. Os sonhos não páram de circular em minha mente.
Eles fingem acontecer. Mas é só mentira.
Os dias emendam-se e é tudo um eterno continuar: o prosseguimento da vida sua, eu sem fazer parte de nenhuma. Nem da minha.
Sei que isso não é motivo pra birra ou berro ou choro ou ódio. É só motivo pra silêncio.
Ando em retirada pacífica.
Sem enterrar nenhuma mina explosiva em seu campo, nem armadilhas, nem saudades.
Não saio de mãos vazias:
Tomei seus olhos tristes; o peito desprotegido; os passos soltos. São meus agora.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Que alguém cuide de você.
Atira o corpo dormente na cama. Faz o que gosta: Lava o rosto e umedece os lábios com as gotas transparentes e salgadas, presente dos olhos para acalentar o coração. Sem histeria ou desespero... já disse: é um presente mas também lembrança.
Lembra que não é preciso acertar sempre nem se desvendar por completo. Sempre haverá algo a ser resolvido mais a frente; por isso, caminha!
Quase pede perdão (a rádio lhe despertou a sensibilidade).
Espera. Não quer mais isso de precipitações. Mas, e se hoje for o dia ideal para algo deliciosamente inesperado (vamos lá, você poderia ter criado sua oportunidade)... E se atrás do bosque houver um coração simétrico (mesmo que invertido), e se isso no céu foi provocado por algum sinalizador vindo de trás do bosque? E se ele também quisesse e você simplesmente se nega?
Espera mais um pouco. Vê que não é bem assim, que tem o direito de deixar se dominar por si mesma. Não mata o animal que nela habita e em alguns momentos ele (o dono) agradece por não tê-lo feito... as feras sabem como enlouquecer.
Foi só instinto, nada demais. Nada que possa ser justificado verbalmente. Saiba que qualquer tentativa será uma mentira.
Mas, e quanto ao corpo dormente? Duvido que tenha coragem de negar que (também por instinto) quis ser beijada por todo o comprimento e largura das suas costas. Quis lábios por toda sua extensão. Quis ser qualquer coisa que o enchesse os olhos. Quis ser o bastante... a peça perdida ou o acorde, o arranjo, a frase.
Sem dificuldade, então, seria brinquedo que se perde no ar: uma bolha, talvez? um balão?
Vê no filme a cena de um abraço e chora. Mais outro, chora.
O que isso significa?
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