domingo, 25 de outubro de 2009
Nova parada
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Não me olhe assim
sexta-feira, 3 de julho de 2009
Notas
Quero ser leito de rio, pra que a água escorra e corra de mim. Aí eu iria aprender a não agarrar-me tanto. Eu também mudaria. Ah! como odeio futuros de um pretérito!
"Você é o que você quer ser".
Isso me arrasa.
quarta-feira, 27 de maio de 2009
A ressureição das palavras
As palavras fugiram uma a uma de mim, só me resta o vocabulário besta do dia a dia, a gaiola da alma simples, nada de complexidades.
Lançaram sobre mim a maldição de nunca mais contar.
Não posso contar dos sentimentos, nem de nada que seja nobre. Dos fatos, somente as fotos ou qualquer outro documento morto e fosco, um registro formal. Só.
Cumpro os dias de castigo tentando entender o mal que fiz.
Acho que estava tornando abusada de mais, escrevendo o que queria, mentindo o quanto queria. Alguém quer que eu exploda porque é isso que vêm acontecendo nas minhas noites: explosões de um ser que não sabe como, mas quer falar.
Fui reduzida à dureza de uma panela de pressão. Perigosa, sem manual de instruções.
sábado, 21 de fevereiro de 2009
Pra meu amor.
Quero inundar meu corpo com a água gelada que você me dá, cheia das porções secretas do amor. É verão dentro de mim agora... Eu que já senti tanto frio, tanto medo. Tomei muita chuva sozinha: minhas quase mortes nas poças d'água, meu corpo jogado na lama. Meu céu sempre cinza, meus vizinho eram estátuas cinzas, minhas janelas sujas de cinza.
Mas daí vem você na minha direção, vestido de felicidade, de amor pelo viver, de sonhos gostosos de sonhar.
Você veio, e me abraçou.
E encheu minha existência de cores, de doces, de vontades!
Desde então eu venho percebendo que o arco-íris, a água cristalina, as flores de todos os jardins... também são pra mim... são pra meus olhos. E eu passava pelas coisas bonitas da vida e não me demorava em observá-las, em estar grata por elas.
Agora é diferente.
Porque agora eu amo você.
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
De mim pra mim (e quem mais quiser!)

Eu posso criar um novo padrão. Uma nova frequência de emoções pode acontecer dentro de mim a partir de agora: e eu quero que seja completamente aleatória!
Quero liberar mais de adrenalina...e vou logo acabando com as pretensões: Eu tenho imaginação o suficiente pra isso, então vamos lá!
Estou andando quase cambaleante com o ar úmido a interagir com meus pêlos, é tudo úmido. Há dias que o céu ameaça chover... mas é disso que ele mais gosta de brincar!
Aproveito pra tirar os sapatos encharcados e me sinto linda com minha blusa de lã coloridissima nos tons alaranjados que combinam tanto com o outono e com a cor da minha pele morena.
Fico tão linda nessa foto em que os ventos tão bagunçando meus cabelos ondulado e escuros! Como não se apaixonar?
Não é a tôa que estamos juntos e viajando o mundo: ele é nosso! Somos feitos de energia como a das estrelas!
Estou exausta de correr mas isso me dá espasmos de prazer! Ofegante e suada, estou linda!
Todos os ritmos das etnias medievais se misturam com os sons do último bandolim e eu só quero dançar. Parece que consigo dar impulsos tão potentes que a gravidade se deixa anular e eu não caio! Flutuo bons segundos e me vejo feliz por ter quebrado a barreira dos sonhos. Eu invadi a mim mesma, enfim dona do meu inconsciente. Dona dos seus segredos.
Lágrimas refrescam o corpo já quente do esforço da corrida: eu faço minha própria chuva com elas!
Me deixa só mais um pouco me empanturrar disso sozinha! Deixa eu agradecer aos céus por ter você, deixa eu inventar um grito de paz, uma saudação ao por do sol!
Me deixa explodir de vontade de ser!!!
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
Não, eu não tenho desvios
depois passei a me perguntar como eles se relacionavam com as pessoas.
aí eu me pergunto como eles conseguem viver?
eu queria poder me deitar em um daqueles divãs de couro marrom claro de algum ator encenando um psiquiatra famoso e deixar que ele consertasse minha cabeça.
mas eu nem me lembro se no final todos eles não passam de fracassados ou farsantes.
o bom de escrever é que quando os pensamentos são registrados, a voz diabólica que os cochichou simplesmente se cala e aí fica tudo parecendo uma grande bobagem.
eu queria falar em ser frágil e morrer de fragilidade.
queria por fogo na casa se tivesse certeza de que o que restaria seria apenas cinzas.
olha que bobagem!
parece que todos os humanos um dia tem que tomar uma decisão mas isso não é verdade.
tem gente que tem dinheiro e não precisa fazer nada.
por que a gente é obrigado a sair do útero delas e viver nossas vidas?
isso parece tão cruel...
condenado a sobreviver e ainda por cima ser feliz.
que maldade!
mas lá vem eles dizendo que não entendem.
mas o fato é que, mais que qualquer outra coisa, eu me sinto um feto.
indefeso e nojento feto que não poderia se defender de um aborto.
mas é verdade. sabia que às vezes eu me embolo com as palavras como se estivessse esquecido todas elas? é como se eu estivesse em um país estrangeiro querendo apenas passar despercebida. daí eu falo qualquer coisa de ininteligível e eles ficam me olhando como se eu fosse uma retardada.
é... seria uma boa desculpa pois eu teria passe livre pra fazer a única coisa que sei fazer: observar. e ninguém me perguntaria o que eu penso, o que eu sinto. No máximo me tratariam como uma criança e me julgariam altista. e eu morreria sem a culpa de ter fracassado em ser gente.
mas eles ficariam assustados demais se me ouvissem, talvez até adoecessem.
Não, eu não quero ser mais pesada ainda. Deixa as coisas assim.
Meus medos são os de parar em uma clinica psiquiátrica e morar na casa de meus pais aos 30 anos de idade e não poder sair por saber que ainda não estou preparada pra vida.
sábado, 22 de novembro de 2008
...e saí.
[...] “Foi um choque descobrir que a minha filha era Down. O médico me contou da pior forma possível. Disse que ela ia ter um monte de doenças, ter problemas cardíacos e ia morrer. Até que uma amiga me alertou que eu teria de escolher entre fechá-la dentro de casa ou abri-la para o mundo. Vesti a Gabriela com a melhor roupa e saí.”
[...]
Fonte: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI11982-15228,00-MAMAE+E+DOWN.html
sábado, 21 de junho de 2008
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
Pesar
Seu vestido de festa deve ter sido arrancado enquanto ela estava sentada porque parte do seu corpo está coberto, parte não. Pálida moça, o que será que a inquieta tanto? Sua silhueta é tão confusa quanto uma imagem mergulhada na água, seus cabelos estranhamente quase dançam como se dança na água.
E tem um homem no quarto. A sombra que cobre seu rosto torna impossível reconhece-lo. Permanece em posição fetal, com os braços abraçando as pernas, como que para se proteger. O corpo está sobre um móvel podre, sua cabeça ameaça pesar para dentro do espaço entre seus joelhos e seu queixo.
A moça parece tentar falar qualquer frase impronunciável. Do modo como está sentada, sua visão deve alcançar o vulto do homem atrás dela, mas não parece assustada.
O quarto é úmido, mas sufocante, a única janela está fechada, é como se não houvesse porta... Nem ar. Vestígios de luz entram através dos espaços entre as partículas do vidro da janela e criam uma penumbra secular.
Os músculos desses dois seres foram paralisados por um pincel, a parede sustenta seus corpos, e é como se tivessem deixado de respirar no momento em que se encaixaram nela.

