quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Ele me fascina

Ainda não havia me dado conta da sua musicalidade, disso de tão grandioso que domina meus sentidos. Então, quero mais é te ter...
Não ser dona nem posse. Só estar do lado durante alguma parte do teu percurso, ou da tua parada para descanso. Eu te acompanho.
Sinto um pouco de medo, eu tenho que admitir. Medo da sua loucura, dos seus traumas, dos seus vícios.
Mas sua voz me acalma. 'Cantante' ou não.
Eu só preciso que dance. Porque dançar é ser livre e é assim que eu quero que me vejam.
Delicie-se com minha expressão solta, contente e grata ao Universo por deixar uma linha no espaço para ligar dois olhares sob o céu 'enluarado'.
Não existe mistério algum, eu lhe digo tudo (se você quiser ouvir).
Mas, se você gostar de enigmas, me explica o que acontece quando os tecidos da sua estrutura abalam a minha.
Só por curiosidade.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Teoria do Sonho

Não vai acontecer, eu sei.
Você não estará ao meu lado olhando para as mesmas paredes úmidas, sentindo o vento invadir as janelas de madeira tão abertas.
E quanto aos beijos frequentes que sinalizam sua vontade de me ter pra sempre em sua saliva; o olhar cuidadoso, o corpo quente, as mãos morenas e arrebatadoras?
Ficará tudo no sonho. Esquecido ou guardado.
Só sei que hoje meu dia vai ser bem mais feliz.
Senti um suspiro na nuca segundos antes de levantar.

domingo, 1 de novembro de 2009

Quem sou:
It's the human misery that scaries me. The misery caused by the lack of food, the lack of hope, love and peace. If good feelings exist, why so many have experienced so little of it? We all should give the best of us to make others feel safer and beloved.
No more injustices, no more hunger nor unnecessary pain.
Let's fight for the right of the well living.
Principais problemas do Mundo:
Hunger (how can I think if I can't eat?)
Iliteracy (who's gonna respect me if I can't read or write?)
Inequality (why do I have to be invisible to the world?)
Indifference (why don't u fight for me if u know that I am too weak for it?)

domingo, 25 de outubro de 2009

Nova parada

Como música quero que me ouça e absorva as ondas que emanam do sons deste arranjo de harmonias.
Mantenho uma certa distância, se isso lhe for necessário. Deixo espaço para que respire, coma e beba e até corra. Na verdade, te vigio só com o canto do olho esperando um aceno para então virar completamente o rosto em sua direção. Me aceite naquele intervalo parado no tempo; é um convite para que eu viva aquele instante com você... Percebe a seriedade da proposta? Compartilhar dos mesmos minutos, os mesmos irrecuperáveis e singulares minutos.
Se me pedir silêncio, sufoco meus gritos de desalento, os choros sem razão, escondo os cortes que me expõem os ossos. Para que durma tranquilo, sem perturbações... Para que eu possa acompanhá-lo ali, ao pé de[...]


Não posso continuar com isso de escrever tudo.
As palavras me roubam os sentimentos. Assim eu os perco e não estou em condições de perder o pouco que tenho.
Quando aprender a dominá-las (e a mim), volto e conto tudo. Só quando parar de atribuir tanta emoção à esse conjunto de letras.
Preciso parar.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Não me olhe assim

Tinha me prometido não recorrer às palavras tão descaradamente quanto o faço aqui mas... Não sou de cumprir promessas.

Age como um bicho.
Assustado. Alguém já lhe feriu a carne? Alguém de cabelos longos, feição delicada, de gestos singelos, enfim, uma mulher? Preparado para um ataque qualquer vindo de outro local indefinido, inexistente. Dá passos cautelosos como se houvesse uma mina de explosivos sob seus pés; armadilhas que lhe sequestrem o chão firme.
Selvagem. Mantinham-no preso em alguma espécie de jaula para almas confusas e famintas? Não duvido que esta tenha sido construída pelas mesmas mãos que me rasgam a pele, que exploram meu corpo descascado e indefeso. E por um acaso, essas mãos são as suas. Movimentos frenéticos, fôlego traiçoeiro; tanta sede e tanta fome de pele, de terra, de suor.
Ingênuo. Um pequeno afago já lhe alivia as expressões. Palavras açucaradas o seduzem e quase se esquece que tem motivos para não se render. Por outro lado, o sarcasmo e a ironia o machucam como facadas e golpes de arpões. Acredita que tenho o poder de enxergar os porões escuros e úmidos do seu íntimo se me demorar um pouco mais fitando os seus olhos.
Forte. Não se deixa adormecer sobre meu colo desnudo, moreno e quente. Caça seu próprio alimento, cose as próprias roupas e com os farrapos estanca o sangue de suas hemorragias intermitentes. Quando se permite algum prazer que o mantenha estável, me procura e eu o saciarei sempre. Mas mal chega, sai apressado, fugitivo, ágil e feroz.

Não sei nada dele nem das verdades/realidades condizentes às metáforas que utilizei à pouco. Não quero ser terapeuta nem ouvinte. Só quero ser abrigo. Um lugar seguro para onde ele possa fugir.
Fugir para mim e não de mim.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Notas

Meus começos já sabem seu destino final. A história se repetirá porque estou presa junto aos meus começos dentro de um círculo em movimento. Penso que sou o ponteiro dos segundos: aqueles que parecem avançar mas não importam. Em relação ao dia, um segundo não é nada. A vida é vários dias e eu, alguns segundos. Estou no pulso de alguém que não me nota. E se notasse, continuaria me aprisionando à fácil tarefa de não significar nada? Ainda me restam escolhas, entretanto: posso morrer e parar só para ser um obstáculo ao tempo (um ato de rebeldia) ou posso aceitar passiva e silenciosamente meus atributos de segundo: Medir seus pulsos vitais, verificar se está doente. Será útil. Trairei-me então aceitando a morte rápida e ineficaz que vem sempre roubar e devolver logo em seguida, todo alimento do meu cérebro. Não é só ao pulso que estou presa. Prendo-me aos objetos, às vontades mais passageiras, estou presa à este texto e à briga que tive no telefone.
Quero ser leito de rio, pra que a água escorra e corra de mim. Aí eu iria aprender a não agarrar-me tanto. Eu também mudaria. Ah! como odeio futuros de um pretérito!
"Você é o que você quer ser".
Isso me arrasa.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

A ressureição das palavras

Aos poucos fui ficando muda. Não as cordas vocais. As expressionistas.
As palavras fugiram uma a uma de mim, só me resta o vocabulário besta do dia a dia, a gaiola da alma simples, nada de complexidades.
Lançaram sobre mim a maldição de nunca mais contar.
Não posso contar dos sentimentos, nem de nada que seja nobre. Dos fatos, somente as fotos ou qualquer outro documento morto e fosco, um registro formal. Só.
Cumpro os dias de castigo tentando entender o mal que fiz.
Acho que estava tornando abusada de mais, escrevendo o que queria, mentindo o quanto queria. Alguém quer que eu exploda porque é isso que vêm acontecendo nas minhas noites: explosões de um ser que não sabe como, mas quer falar.
Fui reduzida à dureza de uma panela de pressão. Perigosa, sem manual de instruções.


"Quem souber, me salve"

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Pra meu amor.

Eu preciso explicar o porque deste filete de lágrimas correndo meu rosto... Por quê meu coração está tão fresco por dentro como se eu tivesse tomado sorvete em um dia bastante quente.
Quero inundar meu corpo com a água gelada que você me dá, cheia das porções secretas do amor. É verão dentro de mim agora... Eu que já senti tanto frio, tanto medo. Tomei muita chuva sozinha: minhas quase mortes nas poças d'água, meu corpo jogado na lama. Meu céu sempre cinza, meus vizinho eram estátuas cinzas, minhas janelas sujas de cinza.
Mas daí vem você na minha direção, vestido de felicidade, de amor pelo viver, de sonhos gostosos de sonhar.

Você veio, e me abraçou.

E encheu minha existência de cores, de doces, de vontades!
Desde então eu venho percebendo que o arco-íris, a água cristalina, as flores de todos os jardins... também são pra mim... são pra meus olhos. E eu passava pelas coisas bonitas da vida e não me demorava em observá-las, em estar grata por elas.
Agora é diferente.
Porque "agora eu amo você".

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

De mim pra mim (e quem mais quiser!)


Eu posso criar um novo padrão. Uma nova frequência de emoções pode acontecer dentro de mim a partir de agora: e eu quero que seja completamente aleatória!
Quero liberar mais de adrenalina...e vou logo acabando com as pretensões: Eu tenho imaginação o suficiente pra isso, então vamos lá!
Estou andando quase cambaleante com o ar úmido a interagir com meus pêlos, é tudo úmido. Há dias que o céu ameaça chover... mas é disso que ele mais gosta de brincar!
Aproveito pra tirar os sapatos encharcados e me sinto linda com minha blusa de lã coloridissima nos tons alaranjados que combinam tanto com o outono e com a cor da minha pele morena.
Fico tão linda nessa foto em que os ventos tão bagunçando meus cabelos ondulado e escuros! Como não se apaixonar?
Não é a tôa que estamos juntos e viajando o mundo: ele é nosso! Somos feitos de energia como a das estrelas!
Estou exausta de correr mas isso me dá espasmos de prazer! Ofegante e suada, estou linda!
Todos os ritmos das etnias medievais se misturam com os sons do último bandolim e eu só quero dançar. Parece que consigo dar impulsos tão potentes que a gravidade se deixa anular e eu não caio! Flutuo bons segundos e me vejo feliz por ter quebrado a barreira dos sonhos. Eu invadi a mim mesma, enfim dona do meu inconsciente. Dona dos seus segredos.
Lágrimas refrescam o corpo já quente do esforço da corrida: eu faço minha própria chuva com elas!
Me deixa só mais um pouco me empanturrar disso sozinha! Deixa eu agradecer aos céus por ter você, deixa eu inventar um grito de paz, uma saudação ao por do sol!
Me deixa explodir de vontade de ser!!!

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Não, eu não tenho desvios

quando criança eu me perguntava como eles conseguiam fazer tantos amigos.
depois passei a me perguntar como eles se relacionavam com as pessoas.
aí eu me pergunto como eles conseguem viver?
eu queria poder me deitar em um daqueles divãs de couro marrom claro de algum ator encenando um psiquiatra famoso e deixar que ele consertasse minha cabeça.
mas eu nem me lembro se no final todos eles não passam de fracassados ou farsantes.
o bom de escrever é que quando os pensamentos são registrados, a voz diabólica que os cochichou simplesmente se cala e aí fica tudo parecendo uma grande bobagem.
eu queria falar em ser frágil e morrer de fragilidade.
queria por fogo na casa se tivesse certeza de que o que restaria seria apenas cinzas.
olha que bobagem!
parece que todos os humanos um dia tem que tomar uma decisão mas isso não é verdade.
tem gente que tem dinheiro e não precisa fazer nada.
por que a gente é obrigado a sair do útero delas e viver nossas vidas?
isso parece tão cruel...
condenado a sobreviver e ainda por cima ser feliz.
que maldade!
mas lá vem eles dizendo que não entendem.
mas o fato é que, mais que qualquer outra coisa, eu me sinto um feto.
indefeso e nojento feto que não poderia se defender de um aborto.
mas é verdade. sabia que às vezes eu me embolo com as palavras como se estivessse esquecido todas elas? é como se eu estivesse em um país estrangeiro querendo apenas passar despercebida. daí eu falo qualquer coisa de ininteligível e eles ficam me olhando como se eu fosse uma retardada.
é... seria uma boa desculpa pois eu teria passe livre pra fazer a única coisa que sei fazer: observar. e ninguém me perguntaria o que eu penso, o que eu sinto. No máximo me tratariam como uma criança e me julgariam altista. e eu morreria sem a culpa de ter fracassado em ser gente.
mas eles ficariam assustados demais se me ouvissem, talvez até adoecessem.
Não, eu não quero ser mais pesada ainda. Deixa as coisas assim.
Meus medos são os de parar em uma clinica psiquiátrica e morar na casa de meus pais aos 30 anos de idade e não poder sair por saber que ainda não estou preparada pra vida.